Não sentirei saudades da sua mão entre-aberta, sua boca entre-aberta, seu coração nada aberto. Farei com as cores que sobrou de minha aquerela, o melhor de mim. Pintarei mais o rosto, andarei descalça e serei sempre essa moleca de coração leviano. Vou sorrir mais da vida, dos problemas e dos outros. Vou parar de mentir que eu minto bem porque isso é uma grande mentira. Vou cantar pelas ruas, desafinar sentimentos e entoar intensidade. Olhar o que se move ao meu lado com a delicadeza de uma flor. Não! Não largo mão do meu jeito estúpido. Vou continuar olhando nos olhos, falando verdades e arrancando suspiros. Cativando amores, desprezando os dissabores e olhando pros lados. Tinta que pinta palhaço, não é a mesma que embeleza mulher. 
Tentar me conter sem abraços, é como tinta oleo em plastico.
Não preciso de tantas cores, um dia desses eu aprendi a misturar.