Quando deito pra dormir fico pensando:
Queria achar engraçado as besteiras que eu falo e faço, os outros acham,
vejo eles rindo e fico séria.
e quando riu é por compaixão de mim mesma.
Estou em estado de graça!
Não sei bem como explicar mas sinto dó de mim...eu sinto ’dó’ e não consigo tocar violão. Sinto música, daquelas de melodia melosa e sufocante. Sinto falta de muita coisa e alivio por não ter mais outras. Sou um mar impetuoso de sensações fortes e tudo atinge diretamente minha carne como se não houvesse pele.
É isso!
Sou uma tartaruga sem o casco, sensível a tudo e sem ter onde me esconder, me proteger. Estou despida de orgulho e amando, amando me sentir assim, aquele casco pesava demais e mesmo não mostrando exteriormente embaixo dele estava molhado; molhado de suor, de dor, de lágrimas... Agora o vento bate e me seca, refresca...
Quebraram o meu casco!
Sou uma tartaruga gigante que alguém viu entrar no mar sem uma barbatana e que por esse motivo nadava em círculos, voltando sempre ao mesmo ponto. Escrevo agora pra dá noticias a quem observava de longe: Encontrei minha barbatana perdida e parei de nadar em círculos (já estava tonta!), agora tenho um imenso oceano pra percorrer, eu e minha barbatana, que é o motivo de toda minha felicidade porque me tirou do tédio que é nadar em círculos.